Notas

Carta de Entrada à Resistência

Após meses de debate intenso, de militância conjunta, de estreitamento das relações de solidariedade, nós que subscrevemos, até agora corrente de transição derivada de uma ruptura com a LSR, tornamos público nosso acordo com os Princípios e com o Programa da Resistência e nossa consequente adesão às fileiras desta organização.

A crise global do capitalismo que aprofunda ainda mais as contradições deste sistema putrefato, aumenta a exploração sobre o trabalho, instaura uma crise ambiental sem precedentes, e traz de volta assombros de um passado não superado, o racismo declarado, a xenofobia e o fechamento das fronteiras, no período do maior fluxo migratório da história, e finalmente, o fascismo como expressão máxima do ódio de classe.

Tudo isto exige de nós, socialistas, uma resposta coerente e enfática que vise por um lado a resistência de nossos ideais e por outro, a construção de uma alternativa política. Onde há tirania devemos construir a democracia proletária, onde há opressão, devemos construir a solidariedade de classe, onde há individualismo devemos construir valores coletivos, onde há nacionalismo devemos construir a identidade de classe, onde há sectarismo é nosso dever o chamado à unidade, onde há conciliação, é nossa tarefa a convocação à radicalidade, onde há desânimo devemos acender a chama da esperança.

O programa é o que sintetiza a ação política comum de milhares de trabalhadores, expressa a consciência coletiva fundada na experiência histórica acumulada pela luta de classes. Um programa nunca está acabado, pois ele se forja na trajetória complexa das lutas sociais, na compreensão comum desta trajetória. O programa revolucionário deve ter a potencialidade de se inscrever imediatamente na vida concreta das massas, nas suas aspirações mais elementares e profundas. O programa de transição é a aplicação programática da estratégia da revolução permanente.

Por isto, iluminados à teoria, é necessário junto às massas, no processo de suas lutas cotidianas encontrar a ponte entre nossas reivindicações atuais e o programa da revolução socialista. Esta ponte deve consistir em um sistema de reivindicações transitórias que parta das atuais condições e consciência de largas camadas da classe trabalhadora e conduza, invariavelmente, a uma só e mesma conclusão: a conquista do poder pelo proletariado.

Desta forma, devemos compreender as tarefas de nosso momento histórico que exige a construção de uma tática de sobrevivência e expansão dos trotskystas, isto é, caminhar para sínteses com o objetivo de apresentar alternativas que estejam à altura de serem testadas por este mesmo momento histórico.

Como parte do trotskismo buscamos outras partes para construir um projeto a longo prazo sólido e coerente, por isso estamos ingressando na Resistência, alicerçados em um acordo programático estratégico e por encontrarmos nesta organização um projeto centralizado e orgânico para intervenção na luta e visando a superação do capitalismo. Para isso, a Resistência tenta impulsionar fóruns mais amplos dos marxistas revolucionários de reorganização da esquerda, não apenas brasileira, mas mundial, tarefa central, principalmente diante dos processos de racha que vimos nesta última década se instaurar sobre a esquerda trotskysta.

É uma tarefa fundamental hoje mantermos um partido revolucionário trotskista centralizado, assim como é dever dessa organização revolucionária atuar em partidos mais amplos da classe trabalhadora como o PSOL no Brasil. Ou seja, seguimos cientes de nossa dupla tarefa, a qual apresentamos para a direção da Resistência que teve total acordo.

Do mesmo modo, a luta contra as opressões e a construção de quadros femininos, negros e LGBTTs, a independência de classe, a autonomia financeira, a organização em células/núcleos de base, a abertura à discussão interna, o respeito à divergência e à pluralidade de formação teórica, são elementos que nos dão a convicção necessária para ingressamos na Resistência.

Enfrentaremos juntos esse período internacionalmente polarizado, com avanço das políticas neoliberais sob a égide da extrema direita, e de retirada de direitos sociais; enfrentaremos juntos o bolsonarismo e construiremos juntos, desde as bases, a estrutura necessária para a revolução socialista. Por tudo isto, desde o último sábado, 30 de novembro de 2019, com esperança e alegria, somos parte da Resistência e convocamos aqueles que, por ora seguiam sem horizonte, a travar conosco ombro a ombro a luta de nossa classe trabalhadora! Viva a Resistência, viva a luta dos trabalhadores! Viva a revolução socialista!

Assinam esta carta:

Militantes que assinam esta carta:

  1. Aguina Vilela, Rio das Ostras-RJ, militante do PSOL e do movimento de mulheres
  2. Amanda Rodrigues – Rio de Janeiro, militante do SEPE-RJ
  3. Ana Moraes – militante PSOL Niterói-RJ
  4. Ana Carolina Cantuária – Rio das Ostras-RJ, Coordenadora Pré Vestibular Praxis
  5. André Damasceno da Hora – Nova Iguaçu-RJ, militante do SEPE-RJ
  6. Anisio Borba – Rio de Janeiro, comunicador popular e mov. de favelas
  7. Ary Girota – Niterói-RJ, delegado sindical do STIPDAENIT
  8. Bianca Resende Silva – Niterói-RJ, membro do Diretório Estadual do PSOL RJ
  9. Brunna Uchôa – Rio de Janeiro, Direção do SEPE Queimados
  10. Bruno Drozdeck – Curitiba, PR, Coletivo Construção e Movimento Popular
  11. Camila Jungles, Fazenda Rio Grande, PR, militante do PSOL e Movimento Popular
  12. Christian Zerillo – Rio das Ostras, Coletivo Construção e coordenador do Pré-Vestibular Práxis
  13. Cristialy Pitzer – Rio das Ostras, militante do SEPE-RJ e do Coletivo Construção
  14. Deiler de Souza, Colombo, PR, militante do PSOL
  15. Dermeval Marins – Itaboraí-RJ, Direção do SEPE Itaboraí
  16. Diego Guedes, Curitiba, PR, Militante da Saúde e movimento Popular
  17. Ellen Campelo, Rio das Ostras, Coletivo Construção e coordenadora do Pré-Vestibular Práxis
  18. Eliel de Lima, Nova Iguaçu-RJ, militante do SEPE-RJ
  19. Fabiana Baraldo, Rio de Janeiro, militante da Saúde
  20. Francielen de Paula, Volta Redonda-RJ, militante do Movimento Minha Casa minha Luta (MCML) e morador da Ocupação Dom Waldyr
  21. Flávia Siqueira, Volta Redonda-RJ, militante do Movimento Minha Casa minha Luta (MCML) e morador da Ocupação Dom Waldyr
  22. Fernanda Coelho, militante do PSOL Rio das Ostras e movimento negro
  23. Gabriel Phelipe dos Santos Barreto Sampaio, Executiva do PSOL Rio das Ostras e SEPE Rio das Ostras
  24. Hafid Omar Abdel Melek de Carvalho, São Paulo, militante da ocupação Dom Waldir
  25. Helio Lopes, Rio de Janeiro, militante do SINDDEGASE
  26. Hermane Pegoraro Schneider, Bragança-Portugal, militante do IBP
  27. Ingrid de Lima, Nilópolis RJ, militante do PSOL Nilópolis
  28. Jean Henrique, Curitiba, PR, Coletivo Construção e Movimento Popular
  29. Jeferson Adriano Pinto de Paula, Curitiba, PR, Militante do PSOL e Movimento Popular
  30. Jonathan de Oliveira Mendonça, Executiva do PSOL Rio das Ostras e Coletivo Luta Educadora
  31. Kamila Domingues, Piraquara, PR, Coletivo Construção e Movimento Popular
  32. Liliane Lima, Rio das Ostras-RJ, militante do PSOL Rio das Ostras
  33. Luciano da Silva Barboza, Direção do SEPE-RJ
  34. Marcio Augusto, Colombo, PR, Militante do PSOL
  35. Maria Paula Bernardes, UFF Campos, Ocupa Cinamomo e militante do Construção
  36. Marília Trajtenberg, Direção do SEPE Tanguá e do Diretório Municipal do PSOL Carioca
  37. Maykeline Leite, Rio de Janeiro, militante da Saúde
  38. Micha Devellard, Volta Redonda-RJ, militante do PSOL Rio das Ostras, da Cultura e do Movimento Anti-Manicomial
  39. Michael Keaton, militante do Movimento Minha Casa minha Luta (MCML) e morador da Ocupação Dom Waldyr
  40. Mike Pontes, Rio de Janeiro, Direção do SEPE Regional VII
  41. Nayana Rodrigues, Rio das Ostras-RJ, Coletivo Construção
  42. Patrícia de Oliveira, Curitiba, PR, Militante do PSOL e Movimento Popular
  43. Queriane Mello, Curitiba, PR, Coletivo Construção
  44. Rafael Jungles, Fazenda Rio Grande, PR, militante do PSOL e Movimento Popular
  45. Raphael Mota, Rio de Janeiro, Direção do SEPE-RJ
  46. Raylane Walker, militante da Saúde e ex-dirigente do DCE-UFF
  47. Stefany Fernandes, Curitiba, PR, Coletivo Construção e Movimento Popular
  48. Ursula Luisa de Medeiros Torres Braga, Rio das Ostras, militante do Construção
  49. Vitor Souza, militante do PSOL Rio das Ostras
  50. Winnie Freitas, Rio das Ostras-RJ, Presidente do PSOL Rio das

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